© Mundo Universitário
Daara Family | Foto de: Sofia Costa
TEXTOS RELACIONADOS
Até 25 de Julho. Festival de Músicas do Mundo de Sines
Tocam os Sines!
Enquanto o País vai de férias, em Sines decorre a 11.ª edição daquele que é considerado o maior festival de world music do País. O Festival de Músicas do Mundo começou no passado fim-de-semana, com nomes de peso a subir ao palco – Rupa & The April Fishes, The Ukrainians ou Orquestra Típica Fernandéz Fierro – mas a «a procissão ainda vai no adro» e, nos próximos dias, espera-se a grande enchente: Kasaï Allstars, Lee ‘Scrath’ Perry, Chicha Libre e Speed Caravan, entre vários outros projectos, são aguardados com ansiedade pelos “peregrinos” deste festival. Haja música, que os Sines já repicam…
Por Laura Alves | directora | lalves@mundouniversitario.pt
Nos últimos anos têm surgido, por todo o país, festivais e encontros de músicas do mundo, mas o FMM continua a ser, para vários milhares de pessoas, mais do que nove noites de concertos. Tornou-se uma verdadeira peregrinação. Tanto para entusiastas da world music como para simples curiosos que, não conhecendo propriamente as bandas que compõem o programa, deixam as barreiras auditivas em casa e abrem a mente a novas sonoridades.
Em Sines respira-se o mundo, sem medo de pandemias, pois pelo ar viajam apenas as vibrações musicais. Como numa enorme Torre de Babel, os “peregrinos” de Sines juntam-se numa só voz, um só credo, uma só religião universal: a música.

Noite 1
A primeira parte do FMM decorre desde há alguns anos em Porto Covo e este ano não foi excepção. A abrir o festival, os portugueses O’Questrada, alegres e coloridos, com pitadas de cabaret e de tasca lisboeta. Um bom arranque para o que viria a seguir: a multicultural Rupa & The April Fishes. A banda vem dos Estados Unidos, mas Rupa, médica e cantautora de profissão, indiana de ascendência, revela na sua música todas as influências geográficas e artísticas que lhe moldaram o corpo – e que corpo, dirão os fãs do sexo masculino, a quem vai ser difícil esquecer a visão das pernas de Rupa... Temas como ‘Americaine à Paris’ ou ‘Poder’, com tempero folk e cigano, são irresistivelmente dançáveis, e o povo dançou!
A primeira noite terminou com os italianos Circo Abusivo, para que as pernas não se queixassem de inactividade. Música balcânica para dançar como se não houvesse amanhã, mas não só. Com uma apresentação e bom-humor impecáveis – se dúvidas houvesse, bastava ouvir, lá pelo meio, o refrão «I’m too sexy for my car... too sexy...» ou mesmo o característico som do genérico de O Justiceiro – os Circo Abusivo convenceram, e bem.

Noite 2
Para começar a segunda dose de concertos, ainda em Porto Covo, subiu ao palco Victor Demé. Tranquilo e de presença humilde, o dedilhar da guitarra do cantautor vindo do Burkina Faso embalou o sol a descer no horizonte enquanto a noite caía. Momentos cristalinos, a que se seguiu algo completamente diferente: The Ukrainians, do Reino Unido. Projecto de fusão entre a música folk e o pós-punk, são uma excelente combinação de folclore com o chamado “partir a loiça toda”. A prova disso reside, por exemplo, nas versões de bandas como The Velvet Underground, The Smiths ou The Sex Pistols – o tema ‘Anarchy in the UK’ revelou-se o pretexto perfeito para o moche...
Aqueles que resistiram, ainda que lesionados, ficaram para ouvir Dele Somisi Afrobeat Orchestra. Nigéria e Reino Unido em ritmo e percussões a todo o vapor, dançarinas frenéticas a pitada certa de soul, para tirar o casaco e dançar noite dentro.

Noite 3
Para terminar em grande a última noite de concertos em Porto Covo, de Angola veio Wyza, apetrechado de uma voz límpida e canções que revelam uma África que quer renascer. Um bom aperitivo para a surpresa da noite, oriunda da Argentina. E se um dia o tango, robusto e delirante, encontrasse num palco a tragédia grega, com o pathos e a catarse e tudo o mais? Chamar-se-ia Orquestra Típica Fernandéz Fierro, com toda a certeza. Bandoneons
(espécie de acordeão), violinos, viola, violoncelo, contrabaixo, piano, e até uma bola de espelhos, regados com a voz de Walter ‘Chino’ Laborde, deram um abanão dos fortes ao público. Há ainda quem esteja a tremer com a coisa...
Mas se a Orquestra Típica Fernandéz Fierro trouxe a palco a tragédia grega, logo a seguir Daara J Family trouxe a celebração. Hip-hop senegalês de valor reconhecido mundialmente, enérgico e vibrante, pela voz de Para N’Dongo D e Faada Freddy, o duo base do grupo. Bom para pular e perder um punhado de calorias...

Noites 4, 5 e 6
No espaço de tempo que decorreu entre o fecho desta edição e o dia da sua distribuição, o FMM deu uma volta parcial ao mundo, com artistas e bandas vindas de diversos países e regiões a compor este “melting pot festival”: Mor Karbasi (Israel), Portico Quartet (Reino Unido), Corneliu Stroe & Aromanian Ethno Band (Roménia), Carmen Souza (Portugal/Cabo Verde), Mamer (China), Uxía (Galiza), Acetre (Extremadura) e L’Enfance Rouge (França/Itália/Tunísia). De destacar ainda a presença dos portugueses Trilhos – Novos Caminhos da Guitarra Portuguesa e Janita Salomé.

Noites 7, 8 e 9
Os concertos continuam hoje (quinta, dia 23), sexta e sábado – no Centro de Artes, na Avenida Vasco da Gama (junto à praia) e no Castelo de Sines – complementados até de madrugada com os sets dos DJs António Pires + Toni Polo (sexta) e do já veterano Bailarico Sofisticado (sábado).
23.07.2009
COMENTAR
ENVIAR AMIGO
IMPRIMIR

Neste momento não há passatempos a decorrer.