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ENTREVISTA
Os Reis da Alegria
Depois de uma já longa rodagem nos palcos, os Melech Mechaya transportam para o disco de estreia o universo de festa que os caracteriza. ‘Budja Ba’ é o nome do primeiro trabalho do colectivo que anda pelos Festivais a espalhar a alegria. Dia 25 de Julho, sábado, vão estar no FMM em Sines e no dia 8 de Agosto marcam presença, já habitual, no Andanças.
Por Andreia Arenga | info@mundouniversitario.pt
Estiveram cerca de meio ano a trabalhar neste primeiro disco. Como foi o processo criativo?
Começámos a preparar algumas músicas, a partir do reportório de Klezmer (canções judaicas tradicionais) e compusémos alguns originais também. Fizémos um retiro criativo e tivémos vários ensaios desde Dezembro de 2008, mas conceptualmente o disco foi começado a pensar em Setembro do ano passado. Em Março de 2009 fomos para estúdio e o disco ficou pronto em Junho.

O disco era um sonho antigo ou surgiu por acaso?
Sim, era um sonho antigo de, no fundo, tentarmos pôr todo o nosso imaginário dentro de um disco. Já tinhamos esse objectivo, mas só se concretizou realmente dois anos depois de nós estarmos juntos. Fizémos um EP em 2008 e este ano começámos então a preparar o disco com musicas que nós já tocávamos ao vivo e com outras que foram compostas de propósito para o disco.

Foi um percurso dificil esse entre o quase anonimato e a gravação do disco?
Creio que ainda pertencemos um bocado ao anonimato, mas de quaquer forma acho que foi um trabalho árduo. Procurámos reiventarmo-nos um pouco e mudar um pouco a nossa sonoridade ao longo dos concertos e trazer um bocado desse universo para o disco.

Para além do envolvimento na música, vocês trabalham todos noutras áreas. A música para vocês é um hobby?
Não. Apesar de quase todos nós termos outras profissões (só o André na guitarra é que é músico a tempo inteiro), olhamos a música de uma maneira profissional. Tentamos sempre conciliar a música com as nossas outras ocupações, mas gostamos muito do que fazemos. Não é um hobby. É um objectivo que com o crescer do grupo tem vindo a tornar-se cada vez mais sério.

Quase todos vocês têm formação musical pelo conservatório. Acham que isso é importante?
É, ajuda sempre. Dá-nos uma gama de escolhas e de outras oportunidades que de outra forma não teríamos, sem dúvida.

Há uma mensagem muito positiva na vossa música. Isso tabé se reflecte na vossa forma de estar na vida?
Sim, acho que somos muito sinceros quando tocamos e aquilo que nós pomos em palco enquanto grupo é aquilo que nós somos. Não é uma coisa pensada. O nosso espectáculo é sincero nesse sentido. Nós somos um grupo de amigos que se junta para fazer música e o propósito é esse. A amizade vem primeiro e acho que isso se reflecte também no público e na resposta que o público nos dá.

E essa energia dos palcos e do público são uma inspiração? Quando compõem, pensam na forma como as pessoas vão receber a vossa música e como é que as coisas resultariam em palco?
Sim, temos essa preocupação. No inicio, não. Tocávamos para as pessoas, mas não procurávamos outro tipo de interactividade. Depois, à medida que começámos a fazer mais espectáculos, começámos a perceber que o Miguel tinha uma grande capacidade de comunicação com o público e as próprias músicas despertavam esse sentimento no público, através da dança ou do riso. Depois, sim, tentámos contruir algumas musicas a partir daí já com preocupações cénicas, por exemplo.

Muitos dos vossos temas são instrumentais, mas também têm algumas musicas com voz e o disco conta com a participação das Tucanas. Como surgiu essa oportunidade de colaboração?
Tinhamos um espaço para preencher numa das músicas e como já conheciamos as Tucanas, já tinhamos assistido a alguns espectáculos delas, achámos que poderia resultar. E de facto foi interessante porque elas conseguiram reinventar a música.

O que significa Melech Meckaya?
Significa os Reis da Alegria. E no fundo o que nós queremos dizer com o nome é que queremos transportar essa alegria para os palcos e para o público.
23.07.2009
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