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Da esquerda para a direita: Rui Reininho, Tóli César Monteiro e Jorge Romão
Os reis do roque estão de volta
No dia em que os GNR lançaram o seu último disco de originais, ‘Retropolitana’, o MU falou com eles e conta-te tudo sobre este novo registo.
Por Graziela Costa | gcosta@mundouniversitario.pt
‘Retropolitana’ é editado hoje. Ainda sentem aquele friozinho na barriga ao fim de quase 30 anos de carreira?

Rui – Estou um bocadinho ansioso, mas quer dizer um disco é diferente. O disco já não há nada a fazer.

Tóli – É. Isso é mais em espectáculos, os espectáculos é que têm esse nervosinho. Eu acho que há aquela curiosidade de saber o que se vai passar. Como é que o disco vai ser recebido, se vai sair bem, mas nunca fomos uma vender muitos discos tirando um ou outro, nunca andámos muito nas bocas do mundo. Mas, tenho curiosidade até porque estamos com uma editora nova e é um trabalho novo que está a ser feito.


Passaram-se oito anos desde ‘Do Lado dos Cisnes’ e este foi o primeiro disco gravado no vosso estúdio e produzido pelo Tóli César Machado. Como foi esse processo?

Tóli – É diferente porque foi gravado no nosso estúdio e o ambiente é completamente diferente, não há pressão de ‘timings’ ou entradas e saídas. Mas também já houve discos produzidos por nós no passado e por acaso foram dos que correram melhor, como o caso do ‘Rock In Rio Douro’ e do ‘Sob Escuta’.


Consideram ‘Retropolitana’ um álbum que homenageia o retro ou que volta às origens dos GNR?

Rui – É incontornável e o melhor elogio que nos podem fazer é ‘isto soa a GNR’, não há melhor que isso não é? Se nos dissessem soa a U2 podia ser um elogio ou ser uma grande porcaria, do género agora estes tipos estão a copiar os outros.

É que vocês nos álbuns anteriores já fizeram vários jogos de palavras com o nome dos vossos discos e este ‘Retropolitana’ parece não fugir à regra.

Rui – Isso são apenas acendalhas na grande fogueira que é o disco e que nós esperamos que as pessoas compreendam.


Ao ouvir este novo álbum reparei em alguns temas como ‘ Clube dos Encalhados’, ‘Outra X’ e ‘Tatoos Tus’ que demonstram um humor bastante cáustico. De onde vem a inspiração para esses temas e toda essa irreverência?

Rui – Isso é um bocado onomatopaico.

Tóli – ‘Tatoos Tus’ chega até a falar dos Romanos uma clara referência ao Russel Crowe. [risos]

Rui - Mas não pensamos muito nisso são coisas que quando começam a ‘soar’ nós apropriamo-nos. Às vezes são estranhas, eu lembro-me de ver o nome Son Goku numa cama de hospital e achei aquilo muito estranho e até pensei ‘isto será muito mórbido ou não’, mas uma pessoa apropria-se. A história dos GNR também é um pouco assim e acho que já ninguém nos associa tanto à Guarda Nacional Republicana, mas é como os Police, os Fire Brigade ou os Snow Patrol, o pessoal já nem pensa nisso.

É em 2010 que vão finalmente gravar um DVD ao vivo?

Jorge – Ainda há bocado falámos nisso.

Rui – Vamos rezar e ter muita fé. Pode ser que apareça alguém que nos queira ‘gravar’.

Jorge Romão – Vamos ter um DVD para adultos. [risos]

E começa logo com a ‘Tatoos Nus’...

[risos]

Rui – O dvd ultrapassa-nos.

Tóli – Isso é quase assunto tabu porque é uma guerra que nós tivemos com uma editora durante anos que começou no home video passou ao formato DVD, agora até já há Blue Ray. Os formatos vão passando e nós continuamos sem ter um suporte audiovisual... Não temos, não sei porquê, mas deviam fazer essa pergunta à EMI, ‘o porquê de não termos?’. Hoje qualquer artista da treta, da quinta divisão distrital tem um DVD duplo, triplo, ou vários e nós não temos. Eu também não percebo porquê e acho que isso foi uma das coisas que nos levou a azedar a relação e não gravarmos durante anos, inconscientemente mas foi. Porque nós vemos toda a gente com DVDs e nós não, porque aliás nós temos várias coisas gravadas em DVDs como é o caso de Alvalade, Macau, Tolouse, Paris, no Brasil, nos Estados Unidos, mais até do que as pessoas pensam.

Jorge – Olha os GNR + GNR no ano passado no Pavilhão Atlântico foi gravado.

Tóli – Coliseus temos para aí de quatro vezes.

Rui – É que nem vale a pena contar.

Jorge – Mas depois nós vemos outros artistas que acabam de lançar-se e passados dois meses já têm um DVD.

Tóli – Eu não percebo.


E vocês acham que essa questão faz como que não cheguem a novos públicos?

Rui – Eu acho que é realmente tempo de tomarmos uma posição em relação a isso.

Tóli – Pegamos nós nisso. Vamos ter de comprar máquinas de filmar. [risos]


Está aí o Verão. Quais são os vossos planos?

Rui – Vamos estudar para gravarmos o nosso DVD. [risos]

Jorge – Vamos estudar cinema.

Tóli – Atenção, eu já fiz um curso de vídeo. [risos] Mas o plano para o futuro é tocar este disco, um pouco por todo o país, mas vamos estar no Festival Marés Vivas, no dia 15 de Julho. Foi o único festival que nos convidou este ano. Foram simpácticos. Mas já fizemos eventos universitários e se calhar vai ser o destino da nossa banda.


Para saberes mais sobre os GNR vai a www.myspace.com/osgnr

AGENDA:

JULHO
15 – Vila Nova de Gaia – Festival Marés Vivas – 01:00 – entrada paga
17 – Açores, São Miguel – Nordeste – 22:00 – entrada livre

AGOSTO
7 – Açores, Graciosa – Santa Cruz – 23:00 – entrada livre
13 – Ponte de Lima – Parque de Exposições – 22:00 – entrada paga
21 – Cascais – Baía de Cascais – 22:00 – entrada livre
23 – Lagoa – FATACIL – 22:30 – entrada paga
27 – Açores – Lajes do Pico – 22:00 – entrada livre
06.07.2010
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