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Sobretudo sobre nada - Macacos que usam smoking
Se o casamento homossexual vale críticas da Igreja a Cavaco, já a Igreja vale críticas de Cavaco (e não só) a Deus. Por ‘e não só’ entenda-se tão somente o resto da Humanidade. E repare-se como, ao enunciar ‘o resto’, incluí Cavaco na Humanidade, muito embora, ao contrário de outros membros da sua espécie, este seja incapaz de ingerir bolo-rei sem o projectar primeiro em várias direcções. Mas voltemos à Igreja. Perante tamanha salganhada católica-apostólica, Deus sacode as responsabilidades. «É um franchise, eles usam a minha marca mas não sou eu a gerir aquilo», terá Ele dito em entrevista ao Correio da Manhã.
Por Luís Franco-Bastos | francobastos.luis@gmail.com
Quem espera da Igreja a perfeição que caracteriza Deus (se existe ou não, só Ele sabe, mas que é perfeito, é), está a querer que uma lanterna do chinês ilumine tão bem como uma do Aki. E a culpa não é do chinês da loja, nem da criança pequinesa de 3 anos que montou a lanterna e a empacotou. É de quem não soube ver que nunca poderia obter o que desejava naquele estabelecimento, mas mesmo assim foi lá fazendo as mesmas exigências.

A Igreja Católica não é Deus na Terra. Não há Deus na Terra. Só temos o que está exposto. Pessoas, todas diferentes mas ridiculamente iguais. Todas extremamente imperfeitas e eternamente irregulares, capazes do melhor e do pior. Algumas com sífilis. Dessas, umas quantas dão missas. O que vestem e o que apregoam não muda a sua natureza, embora muitos, incluindo os próprios, se esqueçam facilmente disso. Dizia-se dum treinador de futebol brasileiro, Mário Zagallo, que a diferença entre este e Deus era que Deus não estava convencido que era Mário Zagallo. De certa forma, acho que tal piada se adequa a este caso. Pedofilia, ganância, corrupção, etc. Profundamente lamentável, mas expectável. Os representantes de Deus na Terra são homens, igualmente permeáveis ao so called pecado, e não se tornam uma extensão da suposta divindade por usarem uma batina. Um macaco de smoking é na mesma um macaco. Tanto consegue separar embalagens usadas, como faz pocilgas de casca de amendoim.

Postas estas indagações acerca da máquina eclesiástica, cheira-me que serei obrigado a fazer um chorudo donativo aqui à paróquia de Campo de Ourique para evitar uma eternidadezinha junto a Belzebu. Assim como assim, preferia ir ter com o Patrão a ver se ele me explicava como funcionam, afinal, os franchises. Ainda não perdi a esperança, mesmo depois de morto, de abrir um McDonald's só meu. Se não for nesta vida, que seja na próxima.
22.07.2010
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