![]() Batida TEXTOS RELACIONADOS | ENTRE O CASTELO E A PRAIA. 28, 29, 30 e 31 de Julho Aberto até de madrugada É um festival mais curto na duração que o habitual, o que acontece a partir de hoje em Sines, mas nem por isso menos intenso ou variado. O FMM continua fiel a si mesmo e traz a Portugal nomes maiores da ‘world music’ como os tuaregues Tinariwen, os congoleses Staff Benda Bilili e o venerável homem do reggae U-Roy. Serão quatro dias de festa à beira-mar plantada, até o sol raiar. Ao contrário do que muita gente pensa, não é preciso ser-se ‘freak’ para ir ao Festival de Músicas do Mundo e gostar. Com um cartaz mais globalizado que um mapa-múndi, o festival propõe ritmos para todos os gostos e para todos os pés – tanto os de chinela empoeirada como os de sapatilha ou de salto alto. Dos blues ao reggae, da folk ao forró, da tradição do umbigo de África às fusões com a electrónica, a viagem passa pelos ritmos e vozes de vários continentes, num cartaz passível de agradar tanto a melómanos experientes como a iniciados na matéria em busca de novos sons. Das Américas Embora não haja uma organização geográfica na programação dos concertos, o primeiro dia de festival dá uma voltinha mais tradicional por Portugal, com Vitorino e Janita Salomé e depois a infuência afro-beat de Cacique’97, para depois traçar um percurso mais consolidado pelas Américas do Sul e do Norte: com passagens por Cuba através do projecto Nat King Cole en Espagnol do músico David Murray; pelos Estados Unidos, com as vozes de tempero latino de Las Rubias del Norte; e pelo calor do Brasil pela mão de Céu, um aclamado novo valor da música popular brasileira. A noite termina a convidar a uns passos de dança na praia, com os ritmos afro-peruanos polvilhados de dub-reggae, house e electrónica dos Novalima, vindos, como o nome deixará adivinhar, do Peru. Cruzamentos inesperados A pegar na deixa da noite anterior, o dia começa junto à praia com as raízes da América latina e com o tango sangrento dos argentinos 34 Puñaladas, para logo a seguir sermos transportados até ao ambiente xamânico de Wimme, cantor que vai buscar influências ao povo Sami, do norte da Escandinávia. Subindo ao Castelo, saúda-nos aquela que foi considerada pelo The Guardian uma das melhores cantoras do Médio Oriente, a israelita Yasmin Levy, personificando um cruzamento entre a tradição judaico-espanhola e o flamenco. Tempo depois para um encontro harmónico entre o quarteto do bretão Jacky Molard e o trio da cantora maliana Founé Diarra, que antecede, já num outro quadrante, as sonoridades do pós-punk e do folk dos britânicos The Mekons. Será, com certeza, uma boa entrada para o que vem a seguir, directamente do Texas, o Grupo Fantasma, habituados a tocar com Prince e com um repertório que atravessa toda a América Latina com um toque picante de psicadelismo. E ao terceiro dia... É com o guineense Kimi Djabaté que o ‘tour’ geográfico-musical tem início, para depois passarmos a The Rodeo, da parisiense Dorothée, com momentos mais intimistas pautados pela inspiração norte-americana do country, dos blues e da soul. Já no palco do Castelo, a noite propriamente dita traz Barbez, projecto nova-iorquino que funde o jazz com o rock e a música clássica, e, num outro registo, mais a Oriente, Sa Dingding, tida como melhor artista asiática pela rádio BBC em 2008. Chega então aquele que promete ser um dos grandes concertos da noite: Tinariwen, os aclamados tocadores de blues do deserto que já passaram algumas vezes por Portugal e que receberam o prémio da revista Uncut para melhor álbum de 2009 com o disco ‘Imidiwan’. A festa continua junto à praia, com Forró in the Dark, uma ponte entre o calor do Brasil nordestino e o dub, o indie-rock e o funk da cidade de Nova Iorque, e ainda os ritmos do colectivo de Djs Bailarico Sofisticado com Selecta Alice. Terminar em grande Se o último dia começa na praia com a vizinha Galiza, com a voz fresca de Guadi Galego, logo se passa para quadrantes mais longínquos no Castelo com Galaxy, um dos mais importantes grupos da música moderna timorense. Regressa-se a Espanha, com o flamenco de Lole Montoya e eis que se parte novamente para muito longe, o Mali, com o teclista Cheick Tidiane Seck a fazer-se acompanhar de Mamani Keita, uma das mais importantes vozes malianas. Momento então para Staff Benda Bilili, um grupo ‘sui generis’ da República Democrática do Congo composto inteiramente de músicos de rua que, em crianças, foram afectados pela poliomielite tendo-se tornado paraplégicos. Apesar da sua limitação motora, deverão protagonizar um dos concertos mais dançáveis do festival. A noite levará ainda o público ao jamaicano U-Roy, personagem histórica do reggae, e, até de madrugada, será com Batida, entre Portugal e Angola, que se fazem as despedidas. Vê o cartaz e iniciativas paralelas do FMM em FMM.COM.PT 27.07.2010 |









