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Um vício chamado Internet
Quem é que conheces que não tem telemóvel, e que não usa Internet? Que todos estamos mais ou menos dependentes da internet é já uma realidade, comprovada em vários estudos, e tendo em conta que a maioria das pessoas usa um smartphone poucos são os que ainda esperam até chegar ao computador de casa, ou o portátil na escola para aceder à rede.
Por Patrícia Tadeia | ptadeia@mundouniversitario.pt
Dados divulgados pela PORDATA em 2013 revelavam que o número de alunos que acedem à Internet “é maior em função do nível de escolaridade, sendo que, os números têm vindo a aumentar exponencialmente com o decorrer dos anos e aumento da escolaridade”.

Um estudo recente, realizado pelo ISPA-IU (UIPES) e a Nottingham Trent University (International Gaming Research Unit), dá-nos alguns números em relação à dependência da Internet em jovens portugueses. Em informações cedidas ao UM, o ISPA cedeu os resultados de 3 estudos científicos publicados.

Num desses estudos conclui-se que 73,3% dos jovens (com uma média de idades de 14 anos), têm níveis moderados de dependência da internet (em risco) e 13% têm níveis severos de dependência. Em “Dependência da internet e isolamento em jovens”, os investigadores avançam que 22,1% têm mesmo elevados níveis de isolamento social. “A dependência da internet está associada ao isolamento social, mas não está associada ao isolamento emocional”, lê-se. “A dependência da internet está associada ao bullying e ao cyberbullying, às alterações de comportamentos na sala de aula, à posse de dispositivos móveis com acesso à Internet, uso semanal da Internet mais exacerba do e ao consumo de álcool e tabaco”, conclui o estudo.

Num outro trabalho do ISPA, intitulado “Características associadas à dependência da internet”, conclui-se que 16% dos jovens com 19 anos (média) têm uma dependência moderada da internet e 1,2% são dependentes da internet. Essa dependência verifica-se principalmente em jovens mais velhos, do sexo masculino, que não têm um relacionamento amoroso, e que estão no ensino secundário.
Analisando agora um grupo de alunos com uma média de idades de 21 anos, 52,1% percepcionam-se como dependentes da Internet (email, chat, facebook), nomeadamente jovens do sexo masculino.

No estudo “Percepção subjectiva da dependência da internet”, são eles que passam mais horas online (34h semanais) e as preferências online são de cariz social para 64% dos jovens. “Três em cada 10 jovens optariam por não aceder à internet caso as suas aplicações ou preferências online não estivessem disponíveis. Revelando assim a importância/peso das actividades e funções online desempenhadas pelos jovens por contraponto ao mero acesso online per se”, lê-se.

CAIXA
O que é a dependência da Internet?
O uso excessivo da internet tem sido debatido na literatura desde a década de 90, e quando acompanhado por sintomas obsessivos e/ou compulsivos, é designado de ‘Dependência da Internet’.


Responsáveis pelo projeto:
Halley Pontes (Nottingham Trent University)
Ivone Patrão (ISPA-IU (UIPES))
Mark Griffiths (Nottingham Trent University)




VOX POP
1. Quanto tempo passas na internet diariamente?
2. Usas internet no tlm? Com que frequência e com que fim (apps que usas)?
3. Sentes que estás dependente da internet?
4. Quanto tempo aguentarias sem internet?
5. Consideras que os jovens, de um modo, geral estão viciados na internet?



Filipa Borges, 22 anos
3.º ano, Estudos Artísticos, variante de Artes e Culturas Comparadas
Faculdade de Letras

1. Não sei precisar. Depende dos dias. Por vezes chego mais tarde a casa e não vou à Internet. No entanto, quando estou em casa, fico muito tempo.
2. Não. Uso um telemóvel mais antigo para evitar passar tanto tempo na Internet.
3. Sim, mais do que gostaria.
4. Recentemente estive 3 dias seguidos sem vir à Internet, mas tudo depende do facto de estar ou não ocupada e fora de casa. Em tempos excluí o facebook durante um mês para não me sentir tão dependente, mas não acho que seja uma medida razoável, o facebook oferece imensas oportunidades. O ideal seria o equilíbrio.
5. Sim, incluo-me nessa tendência. E não gosto. As relações interpessoais estão a ser fortemente afectadas pelo crescente avanço da tecnologia


Rui da Silva, 19 anos
Educação física e desporto escolar
Faculdade de Educação Física e Desporto da Universidade Lusófona

1. Diariamente passo cerca de 5h na Internet, tendo em conta que os espaços que frequento possuem maioritariamente rede wifi.
2. Tenho acesso à Internet no telemóvel, a qual utilizo como forma de comunicação, através das redes sociais, pois não faço carregamentos móveis, o que não me permite uma comunicação fora de uma zona sem Internet. Utilizo por aplicações, neste momento, o Facebook, o Facebook Messenger, o Instagram, o Whatsapp, o Viber e o Snapchat. Que penso que reflicta as aplicações presentes nos telemóveis da maioria dos jovens da minha idade.
3. Não me sinto minimamente dependente da Internet a não ser na elaboração de trabalhos que envolvem uma pesquisa mais aprofundada, ou para aquisição de material de estudo que os professores nos cedem por e-mail ou moodle.
4. De férias, ou seja, livre das obrigações impostas pela faculdade ao uso da Internet, aguentaria um grande período de tempo, sem uso da mesma, visto que sempre vou de férias deixo o telemóvel e o computador em casa.
5. Um estudo recente diz que cerca de 70% dos jovens europeus sofre do "vício da internet", não lhe queria chamar um vício, mas creio que muito mais de 70% dos jovens tenham uma grande necessidade em usar a Internet, maioritariamente despendendo muito tempo em redes sociais em vez de o aproveitar em outros dos muitos benefícios presentes na mesma (erro no qual me incluo).


David Jacinto, 23 anos
1.º ano, Gestão Comercial e Marketing
Instituto Superior de Gestão

1. Mais ou menos uma hora por dia.
2. Sim utilizo, para aceder às redes sociais, para comunicar e para fazer pesquisas simples, e para me manter actualizado a nível de noticias em Portugal e no mundo. Apps que utilizo (Whatsaop; viber; facebook; instagram e alguns jornais online).
3. Sim, dependente acho que de uma maneira ou outra todos estamos, a Internet faz parte de todos nós nos dias que correm, a evolução tecnológica fez com que assim fosse.
4. Uma semana, um mês... Não sei.
5. Sim, uns mais que outros, mas a meu ver esta tendência vai-se agravando com o passar do tempo. Acho que se deveria fazer alguma coisa em relação a este aspecto ,pois pode vir a ter repercussões graves no futuro.
24.11.2014
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