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“The Walking Dead”
Mortos-vivos à solta por Lisboa… e ninguém se importou
Daryl, Negan, Rick e Greg, perdão; Norman, Jeffrey, Andy e Mr. Nicotero estiveram em Lisboa a propósito da TWDEuroTour e o MU acompanhou o seu dia (que ainda por cima celebrava a Mulher, que por sinal até estiveram em maioria entre os presentes) na capital lusa.
Por Catarina Poderoso | CatarinaPoderoso@mundouniversitario.pt
É de facto muito ténue a linha que separa estes actores das suas personagens da série “The Walking Dead”, e isso é tão verdade que, à chegada ao Teatro Tivoli dos quatro “Walkingescoteiros”, o nome mais gritado por todos era um: NEGAN! NEGAN! NEGAN! A personagem que nos entrou pela televisão um pouco menos de duas dezenas de vezes, já parece fazer tão parte da “mobília lá de casa” que quase se sente o perdão geral das duas grandes mortes provocadas por ele: Abraham e Glenn.

Mas já vamos ao Tivoli. A manhã destes senhores começou numa sala composta de jornalistas, entre eles alguns verdadeiros fãs da série que, como tu para as tuas frequências, traziam a matéria bem estudada. Afinal, estavam (estávamos!) perante três dos responsáveis da série número um no mundo que a FOX traz todas as segundas-feiras à televisão nacional.

E sim, não nos enganámos, foram três as estrelas com quem falámos: Norman Reedus, Jeffrey Dean Morgan e Greg Nicotero. Fica para uma próxima esta vossa que vos escreve entrevistar Andrew Lincoln!

E se começámos esta crónica a falar nele, não vamos (ainda) mudar o rumo. Negan, o antigo professor de educação física, especialista em pingue-pongue, casado com uma mulher de nome Lucille (Aha!) que tinha cancro (como Robert Kirkman, autor da banda desenhada de “The Walking Dead”, idealizou numa prequela sobre a história de Negan) entrou nas nossas vidas (literalmente) a matar. (E sim, temos consciência que o passado de Negan precisa de ser lido duas vezes, por isso damos-te alguns momentos para o releres).

Entrou a matar Abraham. A matar Glenn. E a matar no sentido de arraso, porque, convenhamos, este era “o” vilão mais esperado de todos: “Acho que só depois de gravar aquele primeiro episódio, naquele período entre gravação e ir para o ar, é que comecei a sentir pressão”, confessa Jeffrey Dean Morgan. “Também tive muita confiança no Greg, que realizou aquele episódio, assim como no trabalho do resto da equipa; todos de joelhos a chorar e a dar tudo por mim… Ajudou muito essa entrega, pois ainda por cima eu tive 12 páginas de monólogo naquela introdução. Claro que as expectativas foram crescendo até ter sido transmitido aquele primeiro episódio.”

E se Negan “chegou e disse”, Daryl tem vindo a aumentar o seu diálogo: “Ele começou por ser alguém que olhava para os outros por cima dos ombros; não gostava de ninguém e foi-se revelando através das pessoas. Se não fosse este apocalipse de zombies, o Daryl ter-se-ia transformado num ´mini-Merle´. Ele só sabia seguir o irmão”, relembra Norman Reedus. “Se não tivesse sido obrigado a andar com estas pessoas, não teria tido a oportunidade para mudar, para crescer.” E foi depois da morte de duas dessas pessoas que o mudaram, que se deixou ir abaixo: “Quando o Daryl foi feito prisioneiro, ele sabia que merecia lá estar. Não ripostou, deixou que acontecesse pois estava cheio de culpa. Quando viu a fotografia do Glenn na parede, acho que foi aí que ele sentiu que o próprio Glenn não ia querer que ele, Daryl, morresse assim. É aí que começa a lutar em sua honra, e pelo Abraham, e por todos de quem gosta na série. Foi por causa dessas pessoas que ele passou de ser o tal mini-Merle para ser esta pessoa admirável.”

E já contamos sete temporadas a ver Daryl “crescer”, ele e não só: “Na primeira metade das temporadas, trabalhamos para ver até onde a série pode ir, claro que queremos que as personagens se desenvolvam, queremos episódios em que possamos ver o que se passa com a Tara, a Maggie, etc., há muita gente na série”, confidencia Greg Nicotero, um dos produtores e realizadores da série. “Chegámos agora a um momento em que o ritmo está a crescer. Acho que começou assim que o Rick começou a montar o seu exército”, revela com um entusiasmo quase infantil, quase como se não soubesse ainda o que vai acontecer. “Não vos posso dizer!”

E se Greg Nicotero (conforme entre risos nos explicou porquê) está imune a pesadelos com zombies (“Cresci mesmo ao lado de um cemitério, acho que a água teria coisas especiais”), a realidade é que os zombies que a FOX espalhou por Lisboa andaram a pregar valentes sustos a quem esperava pelos protagonistas da série e não só (o MU ainda viu um zombie engravatado a pregar um valente susto a um polícia… ainda se metia em trabalhos depois de morto, é o que é!)

Chegámos então ao Tivoli, e continuámos a andar pela Avenida da Liberdade abaixo, tão abaixo que a fila já chegava quase aos Restauradores. Foram centenas (arriscamos milhares) as pessoas que estoicamente aguentaram um calor atípico de Março, mesmo para Lisboa, pela possibilidade de entrar no Tivoli para o encontro com os fãs marcado para as 19h30 (aí, sim, com os quatro). Mas se muitos quiseram entrar, essa sorte não chegou para todos. Mas sem problema, que o entusiasmo não se perde: assim que os carros de vidros fumados começaram a subir a Avenida da Liberdade, o histerismo estava instalado.

Que o público ali presente os soube receber, é verdade. Até para quem, como nós no MU, estava em trabalho, o coração ficou acelerado a ver tamanho entusiasmo. Mas podemos afirmar com certeza que estes quatro “rufias” da televisão também estavam entusiasmados. Andrew Lincoln, que raramente participa nestes eventos, distribuía autógrafos, sorrisos e fotografias como quem atira beijos à pessoa amada; Jeffrey Dean Morgan estava tão à-vontade no meio da multidão de fãs que nem parecia ser a sua primeira tour Walking Dead; Greg Nicotero esteve sempre tão prestável que era ele próprio a pedir autógrafos aos seus actores para devolver a fãs que estavam mais afastados; e Norman Reedus… por momentos até pensámos que não estava lá, de tão dedicado que tentou ser com todos os fãs que até acabou por ficar para trás (e acabar com um cachecol do Sport Lisboa e Benfica à volta do pescoço).

É seguro dizer que também é por isto que a série mexe tanto com as pessoas. Esta entrega que é afinal de ambas as partes: de quem vê e que aguenta frio e calor por uma foto tremida no telemóvel, por um autógrafo mal-amanhado ou só pela troca de um olhar; mas também de quem faz. É uma série para os fãs, mas também de fãs. Estes actores gostam genuinamente do que fazem.

Já dentro do Tivoli no tal encontro com direito a entrevista por parte de Vasco Palmeirim e que a FOX transmitiu em directo em streaming, houve vários momentos em que o medo de a casa ir abaixo esteve presente. E, no entanto, apesar de não caber nem mais uma vivalma, nem um zombie sequer, o ambiente foi tão de união e de proximidade que os 45 minutos passaram a correr. Pelo meio, ainda houve uma “selfie-aposta” por causa de duas meninas que terão levado o poster mais original de sempre: “Apostámos que se conseguíssemos uma selfie convosco, os nossos namorados nos pediam em casamento” (o MU tentou filmar o momento da selfie para te mostrar, mas assim que os actores se aproximaram do público, fomos arrastados como que numa onda). Muitas histórias partilhadas pelos actores e produtor, a piada privada com “cockpit” que será lembrada pelos presentes sempre que andarem de avião; Jeffrey Dean Morgan a responder ao pedido de um fã e “vestir-se” de Negan durante uns segundos para gritar “Little pig, little pig, let me in” (OK, foi NESTA parte que achámos que o mundo ia acabar tal a gritaria geral – nossa incluída, confessamos –) à cara de satisfação de todos os presentes a saírem da sala.

No geral, para uma série que fala de mortos-vivos ,foi um dia cheio de emoções e vivacidade que, se formos pensar melhor, foram provocados por culpa da caixinha mágica lá de casa. Afinal, a televisão traz coisas boas.
10.03.2017
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